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SÍNDROME
DE PROCUSTO
Não
faz muito tempo que li sobre um personagem da Mitologia Grega, o qual
se chamava Procusto. Ele habitava numa floresta e era um ser muito
cruel. Ele tinha mandado fazer uma cama que tinha as medidas exatas
do seu próprio corpo, nem um milímetro a mais,
nem um
milímetro a menos. Era hábito seu capturar as
pessoas
na estrada, levá-las para a sua casa e amarrá-las
em
sua cama. Se a pessoa fosse maior que aquela cama, ele simplesmente
cortava fora o que sobrava. Caso fosse menor, ele a espichava e
esticava até ela caber naquela medida. Mais tarde ele foi
morto pelo herói Teseu, aquele mesmo que matou o Minotauro.
Naquele
texto, o autor decifra a simbologia do mito: “Procusto
representa
a intolerância diante do outro, do diferente, do
desconhecido. Representa a visão totalitária
daquele sujeito que quer
moldar todos os demais seres humanos à sua
própria
imagem e semelhança. É a recusa da
multiplicidade, da
diversidade, da criatividade e da originalidade.” Procusto
pensava: “Quem não se conforma ao meu tamanho
não
pode andar solto por aí, a menos que vá jogando
fora
tudo que eu não tenho até caber na minha medida,
ou a
menos que se espiche e se estique até ter o mesmo que eu e
ser
igual a mim.”
O
autor ainda comenta: “O espírito de Procusto
esteve presente
em várias etapas da humanidade. Durante a
Inquisição,
que condenou à morte tudo que não se encaixava
aos
dogmas da Igreja Católica. Na caça às
bruxas
(...). Na conquista da América, que representou o
extermínio
de civilizações inteiras de Norte a Sul do
continente.
No processo de escravização de milhões
de negros
africanos. Nos campos de concentração onde os
nazistas
eliminaram milhões de judeus, ciganos, homossexuais e todo e
qualquer opositor ao regime. Nos regimes totalitários de
esquerda e de direita que imperaram depois da Segunda Guerra Mundial
em vários países do mundo.”
Vejo
que em nossos dias tem muita gente sofrendo da Síndrome de
Procusto. Até mesmo dentro de nossas igrejas existem aqueles
que, por serem “donos da verdade”, querem condenar
os que pensam,
agem, vivem e têm costumes diferentes. Acham que o verdadeiro
culto é o que se conforma às suas
concepções.
Que espirituais são apenas as músicas que
consideram
“sagradas”. Que a liturgia deve se conter ao
padrão que
consideram como o padrão bíblico. Essas pessoas
querem
conformar tudo à sua própria visão e
interpretação Bíblia. Os
cristãos judeus
também sofriam dessa síndrome! No
início
quiseram forçar os gentios convertidos a aceitarem suas
práticas legalistas, dentre elas a circuncisão.
Só
o conhecimento da verdade nos pode libertar do Mal de Procusto. Jesus
nos ensina como vencermos esse mal, e sobre as
conseqüências
de praticá-lo: “Não julguem, e
vocês não
serão julgados. Não condenem, e não
serão
condenados. Perdoem, e serão perdoados... Pois a medida que
usarem (para medir os outros) também será usada
para
medir vocês”. Ainda disse: “Por que
você repara no
cisco que está no olho do seu irmão e
não se dá
conta da viga que está em seu próprio olho? Como
você
pode dizer ao seu irmão: 'Irmão, deixe-me tirar o
cisco
do seu olho', se você mesmo não consegue ver a
viga que
está em seu próprio olho? Hipócrita,
tire
primeiro a viga do seu olho, e então você
verá
claramente para tirar o cisco do olho do seu
irmão” (Lucas
6.37, 38b, 41-42). Quando os mestres da lei e fariseus, que sofriam
desse mal, quiseram “medir” a Jesus, e
já tendo em seus
corações medido (julgado e condenado) uma mulher
apanhada em adultério, acabaram por ouvir do Senhor:
“Se
algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar
pedra nela” (João 8.7b).
Quero
terminar com as sábias palavras de Jesus, as quais considero
o
remédio eficaz para a cura dessa Síndrome:
“Como
vocês querem que os outros lhes façam,
façam
também vocês a eles” (Lucas 6.31).
Considero essa a
regra áurea para a boa relação entre
as pessoas. Não julgue e não será
julgado, não
condene e não será condenado, não
difame e não
será difamado, não traia e não
será
traído, ame e será amado... porque certamente o
que o
homem plantar, isso também colherá.
Pr.
Cleber Montes Moreira
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